Sabores da Minha Infância

Ambrosia

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Em minha infância, o acesso à leite longa vida era muito mais restrito do que é hoje.

Na casa de mamãe, eram tempos de vacas magras (desculpem o trocadilho)… o leite do café da manhã, em geral, era aquele de saquinho, do tipo “C”.

Você lembra disso?

Em dois dias, mesmo em geladeira, ele azedava, e lá ia mamãe fazer um tal de “doce de leite azedo”.

As bolotinhas de leite, envoltas em algo parecido com um caramelo, sempre foram o meu doce favorito.

Chegava em casa da escola, e ficava radiante de felicidade quando via o ramequim cheio de doce, ainda fumegante!

-Mamãe, por que você faz tão pouco doce?

-Não é que eu faço pouco, é ele que não rende!

Realmente… um litro de leite (ou, por vezes, nem isso) não dava quase nada de doce.

Cresci, viajei, aprendi à fazer alguma coisa na cozinha. Descobri que o nome do doce era Ambrosia.

Ao menos era um doce parecido, na cor e na forma, mas com gosto de ovo. Decididamente não era o meu doce de leite azedo.

E conversando com minha mãe ela me deu a idéia de azedar o leite, de forma artificial. Por que nunca pensei nisso antes?

Em uma panela alta, misturei 3 litros de leite integral com o suco de 3 limões e de 2 laranjas.Mexi bem e adicionei a casca de uma das laranjas bem picada, junto com alguns cravos e um punhado de canela em pau.

Como era bom ver o leite já coalhando… levei ao fogo alto, deixando ferver até reduzir o volume pela metade (cerca de duas horas).

Não é necessário mexer, pois o intuito é que o doce forme grumos sólidos. Abaixo dos grumos, uma parte líquida, que deve secar bem.

É isso que vai fazer o tempo de cozimento do doce ser de duas horas. No momento em que o doce quase secava, em outra panela, fiz um caramelo, com 1 xícara (chá) de açúcar, e meia xícara (chá) de água.

Não pode ser um caramelo muito duro… ele tem que ficar em um ponto ainda líquido, ok?

Acrescentei ao doce e fervi por mais cinco minutos. Decorei com a casca dos limões, cortada previamente e com anis estrelado.

Quase chorei de emoção! Estava igualzinho!

Chorar, eu chorei mesmo quando comecei à comer!

Postado por Leandro no blog

http://cozinhapequena.com/?p=474

ambrosia1

Autor: Celia Rabello

Eu sou Célia Rabello, chef de cozinha tenho um buffet e uma fabrica de massas frescas da cozinha Italiana. Aninha e suas pedras Não te deixes destruir... Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede. Cora Coralina

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